
Desde que o policial
militar Gustavo Gonzaga da Silva, 44 anos, foi torturado e morto por
traficantes na Santa Cruz, em Salvador, na madrugada de sábado (9), o
policiamento na região foi reforçado. Com a mudança na rotina, vieram também as
abordagens policiais truculentas a taxistas que circulam pelo bairro e no
restante do Complexo do Nordeste de Amaralina (que incluem, além dos bairros de
Santa Cruz e Nordeste de Amaralina, Vale das Pedrinhas e Chapada do Rio
Vermelho). A denúncia foi feita pela Associação Geral dos Taxistas da Bahia
(AGT).
Entre esta segunda-feira
(11) e terça (12), quatro homens morreram na Santa Cruz em alegadas trocas de
tiros com a polícia.
De acordo com a AGT,
nos últimos três dias, pelo menos 10 taxistas foram abordados pela polícia sob
a acusação de facilitar a fuga de bandidos dos bairros que fazem parte do
complexo.
Segundo o
representante da AGT, Dennys Paim, os episódios têm se repetido todos os dias
da mesma forma: os policiais param os táxis, abordam os profissionais e os
acusam de dar fuga aos traficantes.
"Os taxistas
estão sendo oprimidos pela polícia, estão sendo confundidos. Estão sendo
acusados de dar fuga para deliquentes. Nós estamos repudiando essas atitudes
vindo a público para dizer que existe todo tipo de profissional dentro de uma
categoria, mas é preciso não generalizar, acusando a todos", defende
Dennys.
De acordo com ele, os
taxistas recebem as solicitações das corridas por meio de aplicativos e via
rádio, sendo impossível saber, por exemplo, quem está do outro lado da tela ou
da linha telefônica.
"Os taxistas
fazem corridas em todos os cantos da cidade sem restringir qualquer tipo de
pessoa. Eles fazem um serviço diário de locomoção de milhares de pessoas todos
os dias", acrescenta o representante da AGT.
Abordagens
Em nota, a Polícia
Militar informou que operações de policiamento de trânsito são comuns e
rotineiras na atividade policial. A seleção do veículo a ser abordado, informou
ainda a PM, segue uma "doutrina de técnicas policiais baseadas no conceito
legal da fundada suspeita".
A PM afirma também
que não há nenhuma irregularidade nas abordagens. "Pelo contrário, isso
aumenta a segurança dos passageiros e dos taxistas", destaca.
A PM orienta que,
caso algum cidadão sinta-se abusado, constrangido ou presencie uma ação
policial inadequada, registre o fato na Ouvidoria, através do 0800 284 0011 ou
pelo site da Polícia Militar clicando na seção Ouvidoria. Os canais preservam a
identidade de quem denuncia. Até aqui, segundo a corporação, nenhum taxista
denunciou as abordagens.
Caso
O representante da
AGT é a favor das abordagens, mas reafirma que os taxistas não têm controle
sobre quem atende, e por isso não podem ser tratados como criminosos também.
Para exemplificar
isso, ele citou o caso de uma taxista, que atendeu ao pedido de uma corrida
feita por uma transeunte no Complexo de Amaralina. A cliente solicitou o
serviço alegando que alguém estava passando mal e que precisava ser levada a
uma unidade de saúde.
Ao chegar no local,
no entanto, a corrida era para outras pessoas. Um adolescente e mais duas
mulheres. A taxista contou que os três, aparentemente, estavam fugindo do
local.
"Eu carreguei um
vagabundo no meu carro. Eu poderia ter sido metralhada por alguém ali. Dei fuga
para um cara que estava 'entocado' em uma rua. A cliente usou a malemolência
dela dizendo que alguém estava passando mal. Quando cheguei no local, não era
nada daquilo", relatou a motorista, em um áudio compartilhado em um grupo
de taxistas no WhatsApp.
CORREIO
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