Uma brincadeira que
pode ser perigosa. O manuseio inadequado de fogos de artifício levou à
internação hospitalar de mais de cinco mil pessoas entre os anos de 2008 e
2017. A Bahia lidera o ranking nacional
com 1037 internamentos. Os estados de São Paulo e Minas Gerais aparecem em
segundo e terceiro lugares, com 962 e 701 ocorrências, respectivamente. No
estado, a capital baiana é a cidade com mais internações no período: 686. Ao longo da última década, 20% das
internações no país ocorreram em municípios baianos.
Os dados são de um
levantamento elaborado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), em parceria com
as Sociedades Brasileiras de Cirurgia da Mão (SBCM) e de Ortopedia e
Traumatologia (SBOT). Em 2017, foram registradas 75 internações por queima de
fogos de artifício na Bahia, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (Sesab).
Houve queda no número de casos, se comparado com 2016, quando 112 pessoas foram
hospitalizadas.
Com a proximidade dos
festejos juninos e da Copa do Mundo, aumentam os riscos de acidentes provocados
por fogos de artifício, alguns com graves co sequências, como queimaduras e
mutilações.
“No que se refere a
queimaduras, a maior parte das ocorrências são de casos mais leves, tratadas em
ambulatório, enquanto os atendimentos a vítimas de explosão de bombas, que
resultam em trauma nas mãos, é que aumentam consideravelmente em relação aos
demais períodos do ano”, revela o médico Marcos Barroso, coordenador do Centro
de Tratamento de Queimados do Hospital Geral do Estado (HGE).
O volume de
atendimento no HGE aumenta cerca de 20% no período junino, mas há diversas
ocorrências relacionadas com acidentes de veículos, principalmente nas
estradas.
No ano passado, entre
os dias 23 e 25 de junho, foram registrados 53 atendimentos na unidade, sendo
24 de queimaduras por fogos e 29 por explosão de bomba. Referência no estado e
um dos poucos serviços no país dotados de centro cirúrgico e UTI próprios, o
Centro de Tratamento de Queimados do HGE, possui 28 leitos de internamento e
mais quatro de UTI.
No Hospital Regional
de Santo Antônio de Jesus, também referência para atendimento a queimados,
devido ao número de casos relacionados à queimadura no período do São João, as
equipes assistenciais estão participando de atualizações em técnicas avançadas
na terapia curativa e tratamento aos pacientes vítimas de queimaduras por fogos
de artifício.
Primeiros cuidados
O coordenador do
Centro de Tratamento de Queimados do HGE reforça a importância dos cuidados que
devem ser observados durante o período de festas juninas e também das
comemorações dos jogos da Copa do Mundo. “Crianças só devem manusear fogos de
artifício acompanhadas dos responsáveis. Além disso, bebidas alcoólicas não
devem ser nunca ser misturadas com a queima de fogos”, enfatiza Barroso.
Os primeiros cuidados
são importantes. “Em caso de queimadura, não devem ser usadas pomadas nem
soluções caseiras. A região afetada deve ser lavada com água corrente e
protegida com uma compressa úmida. Em seguida, o paciente deve buscar
atendimento em uma unidade de saúde”, recomenda o especialista.
Para o cirurgião
Marius Wert, coordenador do Serviço de Cirurgia de Mão do HGE, é preciso
“atenção extrema” ao lidar com fogos de artifício, principalmente no caso de
crianças, que não têm noção do perigo a que estão expostas. “O uso de fogos de
artifício deve ser feito com muita atenção e cuidado. É comum acidentes como
queimaduras, perda de dedos e, nos casos mais graves, até perda da mão”, adverte
o especialista, recomendando que em caso de acidente com lesão na mão, o
paciente deve ser encaminhado imediatamente para um serviço especializado.
Um estudo divulgado
pela Associação Brasileira de Cirurgia da Mão (ABMC) mostrou que ao menos 50%
das mãos mutiladas no Brasil poderiam ser preservadas, caso o primeiro
atendimento fosse especializado. A pesquisa mostrou Ainda que no período de
festas juninas, cerca de 90% dos acidentes graves, relacionados com explosão de
bomba, resultam em amputações.
“É preciso muito
cuidado no manuseio de fogos, e apesar das constantes campanhas e alertas
feitos pelos especialistas, as pessoas ainda se descuidam e se expõem ao risco
de acidentes. Os fogos de artifício devem ser manuseados o mais distante
possível do corpo, principalmente das mãos, e deve-se evitar soltar qualquer
tipo de fogos de artifício quando se estiver ingerindo bebida alcoólica”,
reforça o cirurgião.
TRIBUNA DA BAHIA

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