
Há quase 12 anos,
ex-atacante marcou quatro gols em um clássico
O nome Antônio
Rogério Silva Oliveira significa pouco no imaginário baiano, mas pertence a uma
das figuras mais importantes de um dos maiores clássicos do país: o Ba-Vi.
Substitua a formalidade pelo apelido Índio e aí as emoções começam a florescer
na cabeças dos torcedores do Vitória - e por tabela, do Bahia.
Quarto maior
artilheiro do Barradão, com 34 gols, foi na Fonte Nova que Índio fez sua
apresentação mais marcante da carreira. Talvez até da história do clássico.
Após 12 anos, o ex-atacante segue com boas memórias daquele 22 de abril de
2007, dia em que o Vitória venceu o Bahia por 6x5 diante de 61.807 torcedores.
Naquele dia mágico
para os rubro-negros, quem saiu na frente foi o Bahia com gol de Danilo Rios
logo aos 4 minutos de jogo. O Vitória chegou à primeira virada com Jackson e
Índio, mas ainda no primeiro tempo o tricolor tomou a frente do placar com
Fausto e, novamente, Danilo Rios: 3x2.
No dia em que se
comemora o Descobrimento do Brasil, Índio estava com as flechas afiadíssimas e
pontaria impecável. Com 6 minutos do segundo tempo, ele deu novos números
iguais ao placar e ainda viu Apodi consumar a terceira virada da partida antes
de fazer o seu hat-trick e deixar o jogo no 5x3. Àquela altura, a atuação do
cearense de Itatira já merecia entrar na história, mas o Bahia de Arturzinho
não se deu por vencido.
Índio está com 37
anos e pendurou as chuteiras em 2018 (Foto: Acervo pessoal)
Depois do cronômetro
superar os 40 minutos, o tricolor conseguiu um empate-relâmpago graças a Fábio
Saci, aos 42, e Rafael Bastos, aos 45. É isso mesmo: com 45 minutos, o jogo
estava em 5x5 e ainda tinha mais.
Aquele Ba-Vi valia
muito, apesar de ser a primeira rodada do quadrangular. Mas o próprio Índio
conta que vencer o clássico era fundamental para se desgarrar do adversário
mais difícil no grupo que também tinha Atlético de Alagoinhas e Poções.
O juiz Djalma
Beltrame tinha dado quatro de acréscimo e o relógio já contava 48 minutos e 25
segundos quando Índio aproveitou um buraco no meio da zaga tricolor e, de antes
da meia-lua, aplicou a flechada final com um chute rasante no canto esquerdo de
Paulo Musse. O número 11 da camisa do atacante indicava a quantidade de gols
marcados no clássico e seis deles foram do Vitória. Quatro de Índio.
“Tem aquele negócio
do gol de Raudinei que deu o título pro Bahia em 1994 e toda essa coisa do
Bahia marcar gols no final. Sinto que eu pude descontar nos acréscimos e virar
essa mística para o Vitória”, comenta o herói daquela tarde, agora com 37 anos.
“Foi muito marcante. Até hoje sonho com aquele jogo e, quando me perguntam,
fico meio sem saber o que dizer”, confessa o artilheiro.
O tempo lhe deu um
bônus: aquele foi o último Ba-Vi disputado na antiga Fonte Nova, já que em
novembro de 2007 aconteceu a tragédia que ceifou a vida de sete torcedores na
queda de parte da arquibancada do anel superior.
Desde então, nunca
mais Índio jogou na Fonte Nova. Ele até foi convidado para a reabertura da
praça esportiva em abril de 2013, mas não chegou a atuar. Também passou pelo
Jacuipense naquele ano e defendeu o Vitória da Conquista em 2014, mas seguiu
sem conhecer a Fonte já em formato de arena.
Caricatura de Índio
está eternizada no muro do Barradão desde 2012 (Foto: Arisson Marinho/Arquivo
CORREIO)
A espera chegará ao
fim um dia após o aniversário de 12 anos do Ba-Vi do 6x5. Isso porque Índio
será um dos ex-atletas a entrar em campo no Baba das Antigas, amistoso
promovido pelo Correio que reunirá ex-craques de Bahia e Vitória, no dia 23.
O convite reativou
memórias. “Eu estou até treinando, viu? Treinando a flechada, fazendo um
(treino) físico, batendo uns babinhas porque eu estava quase enferrujado. Estou
melhorando. Pode esperar que Índio vai chegar fininho e vai dar um calor. Mas
vamos ver o que vai acontecer”, comenta o goleador, que se aposentou no ano
passado. O último clube foi o Conquista, na segunda divisão do Campeonato
Baiano.
Além de Índio, vários
ídolos vão desfilar talento no gramado da Fonte Nova. Um deles é Baiaco,
heptacampeão baiano pelo Bahia (1973-1979), que aos 70 anos continua
incansável. Junto com eles, feras como Jorge Wagner, Paulo Isidoro, Nadson,
Uéslei, Bebeto Campos, Marcelo Ramos, Fernando, Rodrigo, Jean, Emerson, Hugo,
Emo, João Marcelo, Flávio Tanajura e tantos outros.
Além do show de bola,
a noite vai ter apresentação do É O Tchan e outras atrações. O ingresso será um
exemplar do CORREIO do dia do jogo. Assinantes terão acesso com o Clube Correio
(impresso ou digital). Os portões serão abertos às 17h e a bola vai rolar às
19h. A entrada será feita pelo portão Sul - Dique do Tororó.
O Baba das Antigas
integra as comemorações dos 40 anos do jornal Correio, que ao longo de 2019
apresentará mais novidades para nossos leitores. O evento tem apoio da
Associação de Garantia ao Atleta Profissional da Bahia (Agap-BA), Esporte Clube
Bahia, Esporte Clube Vitória, Federação Bahiana de Futebol (FBF) e Itaipava
Arena Fonte Nova. O projeto Correio 40 anos tem oferecimento do Bradesco,
patrocínio do Hapvida e Sotero Ambiental e apoio de Vinci Airports, SENAI,
Salvador Shopping, Unijorge, Claro, Itaipava Arena Fonte Nova, Sebrae e Santa
Casa da Bahia.
CORREIO


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