terça-feira, 5 de junho de 2018

Taxa de homicídios na Bahia dobra em dez anos, aponta levantamento Atlas mostra jovens negros como principais vítimas; SSP contesta metodologia


Uanderson dos Santos, 19 anos. Thiago dos Santos Gomes, 29. Matheus Santos Paim, 23. Vitor Alexandre da Silva Macena, 19. José Vitor Santos Conceição, 18. Saimon Gabriel Melo da Silva, 23. S.J.A., que, aos 15 anos, não viveu o suficiente para ter mais do que as iniciais de seu nome divulgadas pelas autoridades públicas.

A lista poderia continuar. Esses são apenas alguns dos jovens que foram mortos neste mês de junho, em Salvador e Região Metropolitana. Em dez anos, a taxa de homicídios na Bahia quase dobrou: cresceu 97,8% entre 2006 e 2016, de acordo com o Atlas da Violência 2018, divulgado nesta terça-feira (5) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Mais uma vez, a Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP) contestou os números do levantamento e disse que a metodologia desfavorece os estados nordestinos ao não levar em consideração que eles "contam as ocorrências usando uma metodologia mais fiel à realidade"
Jovens mortos
Entre dados alarmantes divulgados pelo novo Atlas da Violência, um destaque: o número de jovens mortos. O estudo indica que, em dez anos, o Brasil sofreu aumento de 23,3% no número de homicídios de jovens (pessoas com idades entre 15 e 29 anos). Em 2016, foram 33.590 jovens foram assassinados - desses, 94,6% são homens. A Bahia está entre os cinco estados em que os jovens do sexo masculino mais morrem – houve um crescimento em torno de 20% entre 2015 e 2016.

Aqui, a taxa é de 218,4 jovens do sexo masculino mortos para cada 100 mil habitantes – no país, a taxa é de 122,6/100 mil. Quando são observadas as mortes de jovens em geral, sem distinção por gênero, a Bahia ainda tem números maiores do que a média nacional: 114,3 contra 65,5 para cada 100 mil habitantes.

Para o pesquisador do FBSP Renato Sérgio de Lima, um dos integrantes do grupo que conduziu o estudo, a situação é uma “catástrofe”. Segundo ele, o Brasil não consegue pensar em uma política de prevenção à violência contra os jovens que seja verdadeiramente eficiente. Pelo contrário: o país insiste em um modelo de política criminal e penitenciária – que faz com que os jovens sejam as principais vítimas e os principais autores.



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