Técnica, força e
postura. Estes são os três elementos fundamentais para exercer a função de
gari. Não é simples. É muito mais do que varrer. E minha atuação começou
justamente varrendo as ruas do bairro de Valéria, em Salvador.
Logo ouvi das meninas
que precisaria corrigir a posição do corpo para não sentir dores. Após a
varredura, chegou a hora de cortar os matinhos das quinas com o sacho. Depois
de não obter muito sucesso, ouvi de Tânia Ribeiro, aos risos: “Olha, ele fez um
‘sacheiro’ danado”.
A labuta continuou,
mas na hora do despejo, a decepção: sacos com lixos jogados no chão, bem ao
lado dos containers disponibilizados para o descarte. Vale ter mais
consciência!
Nesta quarta-feira,
16, é celebrado o Dia do Gari. Com uma vassoura na mão e um sorriso no rosto,
esses profissionais exercem um papel importante para a sociedade.
A data lembra o dia
da publicação da lei que instituiu a categoria, em 1962. O termo
"gari" surgiu em homenagem ao francês Pedro Aleixo Gary, que ficou
conhecido por ser o fundador da primeira empresa de coleta de lixo nas ruas do
Rio de Janeiro, em 1876.
"
Tem quem discrimina e
diz que a gente ganha bem, que tem que jogar lixo no chão mesmo para a gente
ter dinheiro no final do mês. Mas morrer para ajudar o coveiro ninguém quer
Iraildes França, 56
anos, gari há 13 anos
Valéria
A jornada foi
dividida com alguns garis que atuam no bairro de Valéria. Por coincidência,
todas mulheres. A animada Iraildes França, 56 anos, foi a porta-voz do grupo.
Ela está há 13 anos na profissão, oito deles em Valéria.
Devido a esse longo
período em uma localidade, ela conta que já estabeleceu uma relação cordial com
os moradores, mas que o preconceito de alguns ainda existe.
"Tem quem
discrimina e diz que a gente ganha bem, que tem que jogar lixo no chão mesmo
para a gente ter dinheiro no final do mês. Mas morrer para ajudar o coveiro
ninguém quer”, disse Iraildes, que fez questão de ressaltar que a maioria do
bairro trata os garis muito bem.
Apesar de todas as
dificuldades, elas sentem orgulho do que fazem, como relata Jane dos Anjos.
“São mais de 10 anos atuando como gari. Tenho duas filhas e um neto. Conquistei
muita coisa com eles devido a minha profissão”, comemora.
Direitos garantidos
Segundo a
coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores em Limpeza Pública da Bahia
(Sindilimp), Ana Angélica Rabello, a categoria conseguiu bastante avanços nos
últimos anos, como os direitos trabalhistas dos funcionários sendo cumpridos.
“As empresas de limpeza urbana cumprem direitinho o acordo. Salário
diferenciado, cesta básica, etc”, afirma.
"
Merecemos porque
somos uma classe muito desvalorizada. Até parece que os lixos saem da rua por
si só
Ana Angélica Rabello, coordenadora do
Sindilimp
No momento, o
sindicato está em campanha por aumento salarial, mas, após duas reuniões com os
representantes das empresas, Ana Angélica considera que já houve um avanço nas
negociações pela garantia da data base para uma correção salarial e a discussão
e revisão das condições de trabalho fixadas em acordo.
“Merecemos porque
somos uma classe muito desvalorizada. Até parece que os lixos saem da rua por
si só”, reflete a sindicalista.
A TARDE


Nenhum comentário:
Postar um comentário