Na manhã da última quinta-feira (6), às 10h30min, funcionários do Hospital Geral Roberto Santos se reuniram, juntamente com a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Estado da Bahia (SindSaúde), na frente do hospital, localizado no bairro do Saboeiro, para protestar contra a empresa de alimentação Sabore.Inalba Fontanelle, diretora do SindSaude, informou ao Varela Notícias que a empresa Sabore vem constantemente atrasando o salário dos funcionários, e isso decorre em paralisações dos funcionários, mas, por estarem em um ambiente hospitalar, esse problema se agrava ainda mais.
“Nós estamos em um ambiente hospitalar, além dos funcionários, que ficam 12h ininterruptas no hospital, nós temos pacientes. E já foi comprovado que uma parte do tratamento de um paciente precisa ser composta por uma boa alimentação e uma dieta equilibrada conforme a sua necessidade. Então tanto os trabalhadores quanto os pacientes internados estão sendo vítimas desse problema”, falou.

Além disso, Inalba reforça que a Sabore vem diminuindo o fornecimento de alimentos como frutas, proteínas e vegetais, influenciando na falta da composição de uma dieta saudável. “E tem subtraído além das dietas normais, as dietas específicas. Tem pacientes que eles fazem ingestão da refeição através de uma sonda, e essa empresa é responsável por fornecer esse alimento também”, relatou.
A diretora disse que desde a última terça-feira (4), alguns pacientes ficaram tomando soro glicosado para manter a glicemia e burlar o processo alimentar que eles deveriam ter. Ela também fala da parte da pediatria. “Nós temos crianças na pediatria que têm que receber uma alimentação atrativa, pois elas têm dificuldades de se alimentar quando encontram-se hospitalizadas”, contou.
Inalba também falou que já levou esse problema diversas vezes à diretoria, que se diz impotente em cobrar ou fazer alguma coisa em relação a esse contrato. Além disso, ela informou que a Secretária de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) não tem dado nenhum apoio.

Antes de tomarem a decisão de se reunirem, a diretora também informou que foi feito um abaixo-assinado que chegou até o conhecimento da Secretaria de Saúde e também tem outros documentos que foram entregues, mas não houve resolutividade nenhuma.
Em reposta ao Varela Notícias, a assessoria de cominucação da Sesab disse que a denúncia não corresponde a verdade e que não estão com falta de fornecimento de alimentos no Hospital Geral Roberto Santos.
Questionado sobre a situação, o secretário de Sáude Fábio Vilas-Boas disse que a situação na unidade foi um “problema pontual e já foi resolvido”. O titular da pasta participou da inauguração do Centro Administrativo de Lauro de Freitas, na manhã desta sexta-feira (07).
Em resposta a uma movimentação da desta quarta-feira (05), na entrada do refeitório, houve um paliativo ontem (6), mas que muito provavelmente vai durar pouco. Maria Celeste do Rosário, da diretoria do SindSaude, disse ao VN que comunicou o gestor do hospital sobre a situação e sobre a mobilização.
“Ele pediu que aguardasse até uma semana ou mais, mas eu disse a ele que não tinha mais o que fazer porque a imprensa já tinha sido acionada e que a gente ia fazer, de fato, a mobilização na frente do hospital”, relatou.
A cuidadora Andréia, de 37 anos, que está acompanhando a irmã, que se encontra internada há 26 dias aguardando uma cirurgia, também relatou a sua agonia. “O médico que vai fazer a cirurgia da minha irmã pediu para ela ficar em jejum a partir de terça-feira (4) meia-noite e continuou durante toda a quarta-feira (5) até às 19h, depois ela foi informada que não iriam fazer o procedimento cirurgico dela e que iam liberar a comida, porém a refeição não veio”. A cuidadora falou também que foi necessário pedir uma maçã a um paciente ao lado para a irmã se alimentar.
“No dia seguinte, no horário que deveria chegar o café da manhã dela, chegou a notícia que ela não podia comer nada, pois ela ia fazer a cirurgia, aí eu falei com ela ‘dorme que a fome passa’, aí ela dormiu”, contou Andréia. “Quando foi ontem [quarta-feira], de novo, mandaram ela ficar até às 17h. Ao passar do horário marcado, eu liguei para procurar saber, e não consegui nenhum retorno”, continou.
Andréia disse ainda que a irmã passou mal por conta da falta da refeição. Além disso, o alimento só foi chegar às 22h. “Quando veio para ela foi mingau, sendo que esse alimento estava restrito e ela não podia comer. Minha irmã acabou não tomando o mingau e continuou com fome”, relatou.
A cuidadora disse também que outros pacientes encontravam-se na mesma situação no quarto em que a irmã está e que não tiveram nenhum tipo de retorno até o momento da entrevista.
A equipe do Varela Notícias tentou entrar em contato com a empresa Sabore através de ligação, no entanto não conseguimos, pois um número dava como inexistente e outro nínguem atendia.
Problema que se repete
Sediada no município de Simões Filho, Região Metropolitana de Salvador, a Sabore Cia foi fundada em 2008 e tem como sócios Eduardo Abenheim, Thiago Passos Motta Carolina Pauperio e Mariana Martins, nora do senador Ângelo Coronel. A empresa atua na preparação de alimentos e transporte, além da montagem de cozinhas e refeitórios.
A Sabore é responsável por fornecer alimentos ao Hospital Geral Roberto Santos, no entanto esse fornecimento vem apresentando irregularidades desde o ano passado.
VN
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