sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Após agressão racista a jovem, entidade negra protesta na sede da PM


Um ato político-cultural foi realizado nesta sexta-feira, 7, em frente ao Quartel dos Aflitos (Largo dos Aflitos), sede do Comando da Polícia Militar da Bahia (PM-BA), em protesto ao episódio ocorrido nesta semana, no bairro de Paripe, em que um policial militar agride um jovem negro com socos e chutes por conta do cabelo black power.

Chamada de ‘Black é crime – Meu cabelo é minha raiz’, a manifestação teve início por volta das 15h e, ao final, a liderança entregou rosas para os policiais e para o subcomandante geral da PM, Paulo Uzeda.

“Esse policial não lembra que fez, porque isso é diário, é o normal do dia a dia dele. A gente precisa mostrar para a sociedade, dar visibilidade a todas as ações violentas da polícia. A gente tem certeza que um policial bom e comprometido com a comunidade não vai ter problema com isso, mas o policial que acha que é superior e está servindo a uma elite, esse sim vai se incomodar, inclusive tem que sair da polícia, essa galera tem que sair”, declarou o coordenador da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), Cristiano Lima.

Segundo um dos manifestantes, Marcos Rezende, a ideia central do protesto foi dizer para a polícia que é necessário pensar uma nova forma de pensar a segurança pública do estado. Ele citou a proclamação da Organização das Nações Unidas (ONU), que declarou os anos de 2015 a 2024 como a Década Internacional de Afrodescendentes e chamou atenção para o fato de que o único estado brasileiro que assinou o documento foi a Bahia.

“O que a gente tem visto é uma série de violências sistemáticas contra a população negra e, por mais que digam que esses casos são isolados, quando a gente busca esses casos, sempre na ponta deles tem um jovem negro ou mulher negra sendo violentamente atingido pela brutalidade policial”, afirmou Rezende, ressaltando a importância de compreender que os policiais também são, muitas vezes, jovens que moram na periferia e muitas vezes morrem em serviço. “[Os policiais] podem fazer ações de mudança dessa situação, então oferecemos para a polícia música, poesia, rosas, e vamos perguntar a eles de que lado querem estar, se é do lado dos seus iguais ou das elites”, disse.

O subcomandante geral da PM, Paulo Uzeda, apontou que a Polícia Militar é democrática e aberta nos dias de hoje e contou que o comandante da instituição orientou que os policiais esperassem os manifestantes, conversassem com eles e deixassem que o ato acontecesse.

“Que a gente passe a discutir a vontade e o desejo da população, do coletivo, no sentido de mudar o que eles veem de errado na nossa formação. A formação da PM não tem em seu arcabouço a ideia de maltratar, nem humilhar a população. Muito pelo contrário, o que nós precisamos ver hoje é que muitas vezes não está na formação profissional que se recebe”, declarou o policial, pontuando que a sociedade como um todo precisa ser discutida de forma mais ampla e não só a polícia.


A TARDE

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