terça-feira, 2 de abril de 2019

Falência de gráfica que imprime Enem deixa realização do exame em risco




O anúncio de falência da gráfica que imprime as provas do Enem desde 2009, coloca em risco a realização do exame neste ano.

O Enem ocorre em novembro e, mas para cumprir o cronograma, o prazo máximo para a impressão das provas é o mês de maio. O trabalho realizado para o Enem precisa de uma gráfica específica, já que a operação demanda um forte sistema de segurança e tem entraves logísticos.

Colabora para a insegurança a falta de liderança atual dentro do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), responsável pelo exame. Na semana passada, o presidente do instituto, Marcus Vinicius Rodrigues, foi demitido pelo ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez.

Já o chefe da da diretoria de avaliação da Educação Básica dentro do Inep, Paulo Teixeira, pediu demissão em solidariedade ao demitido. Essa é a diretoria que cuida do Enem.

O Inep não se manifestou até a publicação deste texto sobre a falência da gráfica, revelada pelo jornal “O Estado de S. Paulo”.

Segundo a o jornal Folha de São Paulo, servidores e ex-funcionários do instituto falaram que há uma grande preocupação com as indefinições e com a ausência de uma pessoa capaz de liderar a operação.

Em 2018, o Enem recebeu 5,5 milhões de inscrições. No total, foram impressas 11 milhões de provas. O resultado é a porta de entrada para praticamente todas as universidades do país.

Com contrato que dura até este ano, a gráfica que atualmente é a responsável pelo exame, RR Donnelley, assumiu a confecção das provas em 2009, depois houve um vazamento do conteúdo naquele mesmo ano. O sistema de segurança e logística foi aprimorado ao longo dos anos, ao mesmo tempo em que órgãos de controle cobravam a realização de licitação para o serviço.

A ideia dentro do Inep era publicar um novo pregão neste ano, mas a medida não andou. Há um processo de licitação envolvendo outras avaliações educacionais, como o Saeb, que também segue parado —este por causa de questionamentos de empresas concorrentes.

Segundo o presidente da Abigraf (Associação Brasileira da Indústria Gráfica), João Scortecci, a RR Donnelley não é a única empresa capaz de atender às demandas do Inep, mas o número de companhias aptas não passa de cinco no Brasil. “Imprimir é fácil, o difícil é a logística. Exige segurança, fiscalização e muito bom senso”, diz Scortecci.
Além da impressão das provas, ocorre na gráfica toda a organização das provas antes do envio para os locais de prova, como a separação das malotes por cidade. A Polícia Federal ainda faz com antecedência uma vistoria no local para garantir a segurança do processo.

O pedido de falência da RR Donnelley foi protocolado no domingo (31) na 1ª Vara Cível de Osasco. Em comunicado, a empresa afirma que “entre os fatores que levaram o grupo a tomar esta medida estão as atuais condições de mercado na indústria gráfica e editorial tradicional, que estão difíceis em toda parte, mas especialmente no Brasil”.

Diz ainda que recentemente perdeu um de seus principais clientes e registrou uma drástica redução no volume de trabalho contratado.

De acordo com a nota, a empresa entrará em contato com o sindicato e avaliará a possibilidade de rescindir os contratos de trabalho nos próximos dias, o que permitirá aos funcionários ter acesso aos valores do FGTS e ao seguro-desemprego.



VN

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