terça-feira, 14 de julho de 2020

Caso de infecção intrauterina de coronavírus é confirmado em estudo




Médicos franceses relataram o primeiro caso confirmado de contaminação intrauterina por COVID-19, em um estudo publicado nesta terça-feira, 14, na revista Nature Communications. O recém-nascido, do sexo masculino, nasceu em março e sofria de sintomas neurológicos associados à doença.


“Mostramos que a transmissão da mãe para o feto é possível através da placenta nas últimas semanas de gravidez”, disse à AFP o dr. Daniele De Luca, do hospital Antoine Beclere de Clamart, principal autor do estudo.


Estudos anteriores sugeriram a possibilidade de transmissão pré-natal de mãe para filho, mas este novo estudo fornece evidências, ressaltou.


“É necessário analisar o sangue materno, o líquido amniótico, o sangue do recém-nascido, a placenta, etc… Reunir todas essas amostras durante uma epidemia com emergências em todas as direções não é simples, é por isso que se tratava de suspeita, mas sem confirmação”, explicou.


Os médicos conduziram o estudo em uma mulher de vinte anos, hospitalizada no início de março. Como o parto foi realizado por cesariana, todas as amostras foram coletadas dos possíveis reservatórios do vírus SARS-CoV-2, cuja carga mais alta foi encontrada na placenta.


“O vírus passou de lá através do cordão umbilical até o bebê, onde se desenvolveu”, disse o dr. De Luca. 


Vinte e quatro horas após o nascimento, o recém-nascido apresentou sintomas graves, incluindo rigidez dos membros e danos ao sistema nervoso cerebral. Sintomas que finalmente desapareceram por conta própria, antes que os médicos decidissem um tratamento, na ausência de um remédio conhecido para tratar a COVID.


“A má notícia é que isso pode acontecer. A boa notícia é que é raro – muito raro”, comentou De Luca. 


Dos milhares de casos de crianças nascidas de mães com COVID-19, um pouco mais de 2% apresentaram resultado positivo para o vírus e quase nenhum desenvolveu sintomas graves, disse Marian Knight, professora de saúde materna e infantil da Universidade de Oxford, que não participou do estudo.


“A principal mensagem para as mulheres grávidas continua sendo evitar infecções por lavagem das mãos e distanciamento social”, insiste essa especialista.



REDAÇÃO GRUPO A TARDE / AFP 

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