
O favoritismo era
esperado e, com isso, o resultado não foi surpreendente. A seleção feminina dos
Estados Unidos venceu neste domingo, em Lyon (França), a seleção holandesa por
2 a 0 e conquistou o bicampeonato consecutivo, quarto título mundial em oito
edições de Copa do Mundo. As americanas se igualam as alemãs, que foram
bicampeãs em 2003 e 2007. Para as holandesas, foi a melhor campanha numa Copa e
o vice-campeonato das atuais campeãs europeias garante às Leoas Laranjas uma
vaga nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. A Suécia, terceira colocada na
Copa, e a Inglaterra, quarta colocada, são as outras representantes da Europa –
na decisão de sábado, em Nice, as suecas venceram as inglesas por 2 a 1, gols
de Asllani e Jakobsson; Kirby descontou para as inglesas.
A americana Megan
Rapinoe foi o grande nome do jogo e da Copa. Ela foi eleita a melhor jogadora
em campo, a melhor jogadora da Copa e ganhou o prêmio como artilheira do
mundial. Ela passa a ser a jogadora mais velha a receber essa premiação, com 34
anos e dois dias de idade. A goleira holandesa Van Veenendaal foi eleita a
melhor da Copa na posição.
A final, assistida
por 57.900 pessoas, teve, ainda, outras marcas dignas de registro. Foi apenas a
segunda vez na história das Copas Femininas em que duas mulheres estiveram à
frente das equipes finalistas – a primeira foi em 2003, na final entre Alemanha
e Suécia. Esse ano, a Holanda foi dirigida por Sarina Wiegman; os Estados
Unidos, por Jill Ellis. A britânica entra para a história como a segunda
técnica bicampeã do mundo – o italiano Vittorio Pozzo era o único detentor
dessa marca, campeão com a Itália nas Copas de 1934 e 1938.
A seleção campeã
recebeu um prêmio de 4 milhões de dólares – vale dizer que a França, campeã do
mundo da Copa de 2018, faturou 38 milhões de dólares. A próxima Copa do Mundo
de Futebol Feminino, a ser disputada entre julho e agosto de 2023, ainda não
tem sede definida, e ela só será conhecida em março de 2020, em evento da FIFA
em Miami (EUA). Nove países são candidatos a sediar o evento. Além do Brasil,
África do Sul, Argentina, Austrália, Bolívia. Coreias (Norte e Sul), Colômbia,
Japão e Nova Zelândia.
Pelos resultados
apresentados pelas emissoras de TV em todo o mundo, com recordes de audiência,
a expectativa é de que o futebol feminino ganhe maior apoio da Fifa a partir
desse mundial na França. A partida Brasil x França, por exemplo, foi assistida
por mais de 35 milhões de espectadores no Brasil e outros 10,6 milhões na
França, superando o jogo EUA x Japão da Copa de 2015, com público estimado de
25 milhões de pessoas nos Estados Unidos e recorde anterior. No Reino Unido,
EUA x Inglaterra foi visto por 11,7 milhões de espectadores, a maior audiência
da BBC no ano.
Entre as medidas
previstas pela FIFA para incremento do futebol feminino estão um Mundial
Feminino de Clubes, a Liga Mundial Feminina, ampliar o número de participantes
na próxima Copa para 32 seleções, investir 500 milhões de dólares no futebol
feminino e dobrar a premiação para o próximo Mundial – o que ainda será
insuficiente para chegar próximo aos prêmios estimados para a Copa do Catar:
são 400 milhões de dólares previstos para os homens e 60 milhões de dólares
para as mulheres.
O jogo
O Rei
Willem-Alexander, da Holanda, e o campeão mundial, o francês Mbappé, estiveram
entre os torcedores no estádio de Lyon. E viram um início de jogo bem estudado,
que logo quebrou uma marca: pela primeira vez nessa Copa as americanas não
marcaram um gol até os 12 minutos de jogo.
A primeira boa
oportunidade foi aos 27, num chute forte de Ertz. Foi quando a goleira
holandesa começou a se destacar. Van Veenendaal defendeu no reflexo. A Holanda
não se perturbou e manteve seu esquema, segurando a pressão norte-americana e
arriscando nos contra-ataques. As atuais campeãs só voltaram a ameaçar aos 37,
mas novamente Van Veenendaal brilhou: primeiro numa cabeçada de Mewis e, logo
em seguida, num chute rasteiro de Morgan, que a goleira rebate, a bola bate na
trave e volta para as mãos dela. E teve mais: aos 39, Morgan chutou forte de
fora da área para defesa segura de Van Veenendaal.
A expectativa só fez
aumentar para o segundo tempo. Afinal, em toda a Copa, nem Estados Unidos, nem
Holanda haviam ficado atrás no placar em qualquer dos jogos até então. A
temperatura elevada de 30 graus, apesar do céu encoberto, não ajudava as
equipes a acelerarem a velocidade do jogo. Com 30 segundos as americanas
tiveram um primeiro escanteio e logo uma chance de gol, em cabeçada de Ertz.
Mas o ritmo do primeiro tempo logo voltou a ser visto.
A Holanda tentou sair
um pouco mais para o jogo, mas com cuidado. As americanas arriscavam em
contra-ataques, sem sucesso. Mas aos 12 minutos, numa bola esticada na área
para Morgan, a zagueira holandesa Van der Gragt, imprudente, levantou demais o
pé e, além de errar a bola, acertou a atacante norte-americana. A árbitra
francesa Stephanie Frappart marcou escanteiro, mas foi chamada pelo árbitro de
vídeo. E após rever o lance, marcou o pênalti. Rapinoe deslocou Van Veenendaal
e abriu o placar para as americanas: 1 a 0. Rapinoe entra para a história como
primeira jogadora a marcar um gol de pênalti numa final de Copa e por ser,
também, a mais velha a marcar numa final de Copa, com 34 anos e dois dias. Ela
foi eleita a melhor jogadora em campo na final.
Não havia o que fazer
e a Holanda foi ao ataque buscar o empate. Miedema quase empatou aos 19, mas
errou ao insistir no drible em vez de finalizar. E o castigo veio em seguida.
Lavelle, que se destacava pela movimentação, arrancou sozinha e ganhou campo
diante do recuo da zaga holandesa. Na entrada da área, deu um drible curto e
bateu forte no canto: 2 a 0, aos 24 minutos. Com este gol, os Estados Unidos
chegaram a 26, na Copa da França, um recorde para uma única edição de Mundial
Feminino.
A técnica holandesa Wiegman
resolveu mexer no time. Mas foram as americanas que voltaram a pressionar, com
Heath e Morgan. O jogo ficou mais aberto e as mudanças feitas pelas duas
treinadoras não surtiram muito efeito. Vitória incontestável das novas
bicampeãs, quatro vezes campeãs em oito edições de Copa do Mundo de Futebol
Feminino.
Os Estados Unidos
jogaram com Naeher, O´Hara (Krieger), Dahlkemper, Sauerbrunn e Dunn; Mewis,
Ertz e Lavelle; Heath (Lloyd), Morgan e Rapinoe (Press). Técnica – Jill Ellis.
A Holanda, com Van Veenendaal; Van Lunteren, Dekker (Van de Sanden), Van der
Gragt e Bloodworth; Groenen, Van de Donk e Spitse; Beerensteyn, Miedema e
Martens (Roord). Técnica – Sarina Wiegman. A árbitra do jogo foi a francesa
Stephanie Frappart.
* Sergio du Bocage é
jornalista da TV Brasil e comentarista dos programas Stadium e No Mundo da Bola
AGENCIA BRASIL
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