
(Fausto Macedo Fotos: Nelson Almeida (AFP) e Divulgação)
O ex-prefeito de São
Paulo Fernando Haddad foi condenado pela Justiça por chamar de
"fundamentalista charlatão, com fome de dinheiro" o bispo Edir
Macedo. O petista terá de pagar R$ 79.182 ao fundador da Igreja Universal do
Reino de Deus - o dinheiro, segundo o bispo, será destinado a uma instituição
de caridade. O ex-prefeito também terá que se retratar por ofensas ao líder
religioso durante a campanha à Presidência da República.
Na sentença, juiz
Marco Antonio Botto Muscari afirma que o petista é um "conhecedor
privilegiado das normas jurídicas". "Estudou na mais tradicional
faculdade de Direito brasileira, o réu obviamente sabe que acusações passadas
de 'charlatanismo, estelionato e curandeirismo', seguidas de absolvição, apenas
reforçam a presunção constitucional de inocência do bispo Macedo. Ou será que
Fernando Haddad se julga no direito de, após decreto absolutório, insistir em
que o líder religioso pratica, sim, 'charlatanismo'?", escreveu.
"Fernando Haddad
claudicou muitíssimo e potencializou os efeitos de sua infeliz declaração,
lançando-a nas mídias sociais com acesso a centenas de milhares de
destinatários. Impossível estimar a dimensão dos danos causados a Edir Macedo
Bezerra, que não persegue lucro fácil, (...) tanto que indicou desde cedo instituição
beneficente para receber a verba indenizatória", diz o juiz Muscari na
decisão.
Em outubro, Edir
Macedo decidiu ir à Justiça e ao Ministério Público Federal contra o
ex-prefeito e então candidato do PT à Presidência. Por meio de seus advogados,
o bispo ingressou com uma ação de natureza civil, em que pedia indenização de
83 salários mínimos, e com um pedido de abertura de Procedimento de
Investigação Criminal (PIC) no Ministério Público Federal em São Paulo.
As ofensas de Haddad,
segundo o líder religioso, ocorreram no dia 12 de outubro, quando o petista deu
entrevista coletiva à imprensa. A origem do embate estaria na manifestação de
apoio que o líder da Universal declarou por Jair Bolsonaro (PSL), rival de
Haddad na corrida ao Palácio do Planalto. Macedo afirmou que "apenas e
somente demonstrou sua inclinação ao candidato Jair Bolsonaro, nada mais!"
"Com o nítido
caráter de propagar a tão combatida intolerância religiosa e ferir sua honra,
nome, imagem e reputação, por mera insatisfação pessoal e partidária, bem como
se valendo do forte aparato midiático que é destinado aos candidatos à
Presidência da República, o réu Fernando Haddad, acompanhado de dezenas de
pessoas, após participar de uma missa católica alusiva ao dia de Nossa Senhora
Aparecida, em 12 de outubro, em sede de coletiva de imprensa, passou a proferir
ofensas que por si violam o ordenamento jurídico", disse Macedo.
Segundo as ações, na
ocasião, Haddad, dirigindo-se aos jornalistas e "diante de todo o público
que por lá estava, disse em alto e bom tom. 'Sabe o que é o Bolsonaro? Vou
dizer pra vocês o que é o Bolsonaro. Ele é o casamento do neoliberalismo
desalmado representado pelo Paulo Guedes, que corta direitos trabalhistas e
sociais, com o fundamentalismo charlatão do Edir Macedo. Isso que é o
Bolsonaro. Sabe o que está por trás dessa aliança? Chama em latim (sic): auri
sacra fames, fome de dinheiro. Só pensam em dinheiro' (Paulo Guedes e Edir
Macedo)."
A TARDE/ESTADÃO CONTEÚDO
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