Cerca de 40
manifestantes bloquearam o trânsito e os ônibus deixaram de subir até a Lapa
Os ônibus circularam
normalmente na manhã desta sexta-feira (10) em Salvador - exceto na região da
Lapa, onde aconteceu uma manifestação da centrais sindicais as 6h. Segundo a
Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador), os coletivos estão nas
ruas desde às primeiras horas do dia - o fluxo de ônibus foi normal nas principais vias, assim
como nas estações de transbordo da capital.
Um grupo com cerca de
40 pessoas bloqueou o trânsito na rotatória entre o Dique do Tororó e a Lapa.
Eles impediram que os coletivos com destino à Lapa entrassem na estação - após
três horas e meia de protesto contra as reformas da previdência e trabalhista,
por volta de 9h20, manifestantes liberaram a rotária que liga o Dique do Tororó
à Lapa. Os carros particulares que trafegavam na região também ficaram parados
no congestionamento.
Segundo
representantes dos sindicatos que participam do protesto, o grupo seguirá para
o Campo Grande, onde haverá outro ato e uma caminhada em direção ao Tribunal
Regional do Trabalho da Bahia (TRT-BA) e à sede da Previdência Social. O
protesto faz parte da mobilização convocada pela Central Única dos
Trabalhadores (CUT) em vários setores contra medidas do governo do presidente
Michel Temer.
Trânsito
Por conta do
protesto, o trânsito ficou congestionado no Vale dos Barris, Dique do Tororó
sentido Lapa e vias do bairro de Nazaré. Para reduzir os impactos causados pelo
protesto, a Transalvador realizou uma operação especial de desvio de tráfego.
Equipes de trânsito
desviaram o tráfego nas proximidades da Arena Fonte Nova e na Avenida Vasco da
Gama, no acesso à Praça João Mangabeira (Rótula dos Barris). Veículos tiveram
como rotas alternativas seguir da Vasco da Gama para a Av. Anita Garibaldi,
Vale do Canela, Mário Leal Ferreira (Bonocô) e Comércio.
No local do bloqueio,
motoristas tentaram furar as barreiras e, revoltados, alguns chegaram a se
desentender com os sindicalistas.
Foi o caso do
empresário Carlos Paixão, 55 anos, que pretendia chegar ao trabalho, na região
da Avenida Centenário. "É um absurdo, eu não consigo acreditar nisso. Eu
querendo trabalhar e esses preguiçosos fazendo algazarra. Se isso aí adiantasse
alguma coisa, o país estaria arrumado", defendeu.
A manhã também foi de
transtorno para a doméstica Carla Silva, 30, que precisou descer do ônibus no
local e andar até o Garcia, onde trabalha. "Não acredito que vou ter que
ir andando. Mas, sinceramente, se é pro nosso bem, bem dos trabalhadores, eu
apoio. Vai ser uma 'paletadinha', mas pior é não me aposentar nunca",
disse ao CORREIO.
Assim como Carla,
dezenas de pedestres desceram dos vários ônibus enfileirados na região da Lapa,
como a secretaria Lúcia Costa, 25. "Eu não aguento mais essas palhaçadas,
deve ser a terceira vez, só esse ano, que não consigo chegar no trabalho. Acho
um absurdo, não concordo mesmo" afirmou.
Para Lúcia, que
trabalha na Barra, o jeito foi ir de mototáxi. "Agora vou ter que gastar
um dinheiro que nem tenho pra chegar no trabalho. Mesmo assim, tive que tirar
foto pra poder mostrar aos chefes", revela.
Quem também teve o
carro impedido de passar foi o agente de trânsito Pedro Paulo de Matos, 54.
Segundo ele, protestar é a única maneira de mudar. "Não tem outro jeito. A
gente fica chateado porque, para mim, deveria haver uma lei federal que garantisse
a livre passagem em pelo menos uma via. Mas protestar é um direito
constitucional. Sem protesto, não tem mudança", argumentou.
"A reforma
trabalhista é uma perda irreparável para os trabalhadores. Não para mim, que
tenho meu emprego garantido até o final da vida, mas para a maior parte do
país. Se o objetivo é chamar atenção, é natural que pare tudo mesmo",
concluiu.
A diarista Diná Maria
dos Santos, 44, saiu de casa, no bairro de Nova Brasília, por volta de 5h30,
com destino ao trabalho, na Graça. Ela deveria chegar lá às 7h, mas às 6h30 o
ônibus em que estava também foi impedido de seguir viagem.( "Eu não sou contra o protesto, mas eu já tenho tantos gastos. Para eles, que já bateram cartão, tudo certo. Ganharam um dia. Mas e eu, que se não trabalhar não recebo?", ponderou.)Segundo ela, falta
comunicação entre manifestantes e população. "Se a briga é por nós, pobres
e trabalhadores, não tínhamos que ser pegos de surpresa. A gente precisa
entender os caminhos deste protesto e os resultados dele. E hoje, o que vai ser
de mim, fico aqui ao Deus dará até que horas?", questionou.
O técnico em
enfermagem Márcio Gomes, 29, também foi um dos pedestres que precisou caminhar
para tentar chegar ao trabalho. "Tem duas horas que saí de casa, no
Retiro, e ainda estou aqui (na Lapa). Sorte que trabalho relativamente perto,
consigo ir andando. Isso precisa ser revisto, virou graça agora esse tipo de
intervenção. E a gente não pode fazer nada, só lamentar", disse ele, que
trabalha em uma clínica no bairro do Canela. Para Márcio, os ônibus não deveriam aderir à
paralisação. "Eles sempre falam que não vão participar, e sempre
participam. Porque sabem que só eles conseguem parar a cidade e aí a gente fica
refém disso", desabafou.
O vice-presidente do
sindicato dos rodoviários, Fábio Primo, confirmou ao CORREIO na manhã de hoje
que os ônibus circularam normalmente pela cidade, mas que representantes da
categoria participavam no protesto na Lapa. Dia de paralisações
Os trabalhadores que
aderiram ao movimento cruzaram os braços no início da manhã, por volta das 7h.
Sindicatos de todo os
país foram convocados para aderir à mobilização no Dia Nacional de
Paralisações, organizada pela própria CUT. Na Bahia, a manifestação reuniu
diferentes categorias profissionais, que ameaçaram paralisar totalmente as
atividades ou aderir parcialmente à manifestação.
Segundo os
organizadores do movimento, o protesto é 'contra retrocessos do governo Michel
Temer'. Eles citam a reforma trabalhista, que entra em vigor neste sábado (11),
além das mudanças planejadas para a Previdência, em análise no Congresso, e o
decreto publicado pelo Ministério do Trabalho que modifica a definição de
trabalho escravo e deixa nas mãos do ministro a inclusão de empresas na
"lista suja" - ou seja, que desrespeitam os direitos trabalhistas.
A expectativa dos
sindicalistas é que o ato reúna cerca de 50 mil trabalhadores e estudantes.
Veja a lista com a
adesão ao movimento de algumas atividades e serviços para a manhã desta
sexta-feira.(CORREIO)
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